Blog - Olho de Biólogo



O cotidiano revisto e comentado sob o ponto de vista de pesquisadores.

A imprensa nos expõe fequentemente a notícias sobre o nosso meio ambiente. Estas informações são levadas ao público pelas palavras de jornalistas. O “Instituto Mar Adentro” oferece neste espaço a oportunidade para as pessoas terem um outro olhar sobre os fatos. Um olhar de pesquisadores que se dedicam às ciências biológicas/ambientais. Deixe você também o seu ponto de vista, e vamos juntos em busca do caminho que melhore nossa qualidade de vida.



Meu primeiro Carro

Escrito por Petrus
Qui, 09 de Junho de 2011 12:28
Instituto

Por Petrus Galvao

Meu primeiro Carro

Após 15 anos tendo como meio transporte uma motocicleta (motociclista sim), chego agora aos meus 33 anos de idade, cansado da vida sobre duas rodas. Uma alternativa perfeita pra driblar o descaso das autoridades com o escoamento do trânsito nas grandes cidades, mas onerosa no quesito conforto e, no caso Rio de Janeiro, segurança. Assim, deparo-me com a necessidade de adquirir um automóvel para buscar um pouco de conforto no deslocamento de grandes distâncias em horários pouco privilegiados de frota do transporte público. Vou comprar meu primeiro carro! Primeiro critério a ser considerado: combustível. Quero um automóvel que seja alimentado por fontes renováveis de combustível, e que não emita resíduos pelo seu uso. Pode ser um movido a energia solar, ou um de fonte de hidrogênio, ou mesmo um acionado por eletromagnetismo. Segundo critério: os componentes de montagem devem ter processo de fabricação “limpo”. Esclareço: nenhuma peça derivada de petróleo, que as peça sejam fabricadas em plantas industriais movidas a energia “limpa” (as metalúrgicas são grande poluidoras do ar, solo e água), e que as pessoas envolvidas na cadeia produtiva não sejam semi-escravizadas em ambientes insalubres. Ainda não sei bem sobre a cor... Acho que cor de burro quando foge do tsunami... Alguém aí pode me indicar alguma montadora / concessionária?

 

Última atualização em Seg, 13 de Junho de 2011 09:09
 

Baleias mudam seu comportamento para evitar sons emitidos por sonar

Escrito por Petrus
Qua, 18 de Maio de 2011 12:20
Instituto


Raquel Neves

Pesquisadores do Instituto Oceanográfico Woods Hole (Massachusetts, EUA) concluíram que o uso de sonares navais afeta o comportamento e movimento de baleias. O estudo levou anos para conseguir associar exercícios navais ao massivo encalhe de diversas espécies de baleias.

A pesquisa consistiu numa série de experimentos onde o nível do sonar era aumentado gradativamente e baleias marcadas eram monitoradas. Assim que as baleias apresentavam alguma resposta, o nível de exposição ao sonar era medido e a resposta das baleias era definida.  As baleias-bicudas (família Ziphiidae), espécie que se assemelha aos golfinhos pelo formato da boca, foram monitoradas no período de funcionamento do sonar da marinha americana. Durante os exercícios, as baleias-bicudas foram detectadas principalmente a 16 km, em média, do centro de transmissão do sonar. Uma vez que os exercícios paravam, as baleias voltavam gradualmente à região central dentro de 2 a 3 dias.

Os autores acreditam que as baleias-bicudas são particularmente sensíveis a sons e que a alteração do comportamento pode ser vista mesmo quando expostas a níveis de emissão menores ao que era esperado antes da pesquisa. Quando as baleias foram expostas experimentalmente a sons emitidos por gravações durante sua alimentação em profundidade, estas paravam de se alimentar e faziam movimentos não usuais de subidas longas e lentas à superfície, afastando-se da fonte sonora. As emissões de sonar podem interromper o comportamento normal das baleias o que pode aumentar o risco de futuros encalhes. Os autores deste estudo sugerem um monitoramento adequado pode ajudar a reduzir a possibilidade de esses animais morrerem encalhados nas praias.

Parece que estamos afetando até mesmo esses gigantes do mar muito mais do que pensamos.

O que podemos fazer para reduzir isso?

Fonte: Tyack, P.; Zimmer, W.M.X.; Moretti, D.; Southall, B.L.; Claridge, D.E.; Durban, J.W.; Clark, C.W.; D’Arnico, A.; DiMarzio, N.; Jarvis, S.; McCarthy, E.; Morrissey, R.; Ward, J. & Boyd, I.L. 2011. Beaked whales respond to simulated and actual navy sonar. Plos One 6 (3): e17009.


Última atualização em Qua, 18 de Maio de 2011 12:24
 

O código Bin Laden

Escrito por Petrus
Qua, 11 de Maio de 2011 15:51
Instituto

Por Petrus Galvão

É isso!!! Joguei o nome do momento para pescar sua atenção!!!

Enquanto o holofote se volta para Bin Laden, por aqui estamos prestes a aprovar o novo Código Florestal. Na voz de Marina Silva, é a chance de optarmos por um sistema produtivo moderno e rompermos com a estrutura VELHA!!! E é velho porque está ultrapassado, e não porque é o mesmo há mais de 500 anos. Sarney Filho também fez discurso pelo PV para um Código Florestal mais verde. Marina ainda chama atenção para que, ao se optar por um código que incentive o desmatamento, as conseqüências não respeitarão fronteiras geo-políticas. O que não dá é para engolirmos que “não há saída”. Avançar a área cultivada sobre a floresta não é garantia de preços baixos das commodities, e disso sabe melhor ainda a EKIPECONOMICA. Assim como reajustaram 100% seus próprios vencimentos no último ato de legislatura passada, agora nossos representantes também discutem, as presas, o desmembramento do Estado do Pará. Isso para, com o pretexto de poder regular melhor o território, multiplicarem as tetas que os nutri: o erário público.

E assim seguimos, olhando para Brasília como um planeta distante demais para que possa nos atingir qualquer coisa que venha de lá. Ter capturado sem vida o líder do movimento extremista que pregava a derrubada do sistema ditatorial que ainda domina o povo muçulmano, não muda a forma como milhões de seguidores de seus ideais enxergam a potência comandada por Obama. Como também, em situação meramente hipotética, friso aqui, retirar a vida da velhacaria que figura na política brasileira, não vai fazer que os cidadãos brasileiros passem a não jogar seus lixos em qualquer lugar da rua. O mundo perde uma oportunidade de incentivar o início de uma virada de página no modelo arcaico, financiando a construção de um código verde para o grande produtor de alimento do mundo: o Brasil.

Imaginem vocês, quanto custou a guerra ao terror conduzida pelos EUA??!!! Agora peguem esse mesmo montante, e abram uma linha de crédito para pesquisa e implantação de sistemas produtivos agro-florestais, com produção de energia renovável, e tudo mais que couber no mundo maravilha dos enjeitados ecologistas!!!! Daria até para profetizar um Brasil líder em produção de energia alternativa limpa. É isso, por enquanto, vamos focar para tentarmos não entupir os bueiros com o nosso lixo de cada dia, para que ele não venha nos visitar nos dias recordes de pluviosidade.

 

Seguindo os pinguins...

Escrito por Petrus
Qui, 21 de Abril de 2011 07:10
Instituto


Por Juliette Savin

Cientistas americanos estão usando robôs nadadores para estudar pinguins. Esses “gliders” (robôs planadores) seguem as trajetórias dos pinguins e ao mesmo tempo coletam dados sobre a composição química da água, da temperatura e a presênça de plâncton e outros microorganismos. O biólogo Bill Fraser  e os oceanógrafos Alex Kahl  e Oscar Schofield, da Universidade de Rutgers (EUA)  esperam que os dados recolhidos pelos robôs ajudem a  entender o porquê da diminuição  das populações de pinguins.

Os robôs são programados para seguir Pinguins Adélie, equipados com um marcador satélite, no Atlântico Sul, perto do continente Antártico. Schofield já utilizava esse tipo de robôs nadadores para coletar dados da composição química dos oceanos e estudar os organismos do plâncton, mas é a primeira vez que esses robôs são usados junto com um sistema de localização para seguir grupos inteiros de pinguins. Até agora era difícil estudar os animais quando eles estão na água procurando comida, os biólogos apenas coletavam dados no período de reprodução dos pinguins, durante o qual eles permanecem fora da água.

O continente Antártico tem sofrido um grande aumento de temperatura nos últimos 50 anos – em média 6°C  no inverno. Há décadas os pinguins estão sofrendo uma mortandade em massa, provavelmente por causa do aquecimento do planeta. Com o aumento da temperatura, as áreas de gelo onde os pinguins se alimentam estão diminuindo e isso mexe com toda a cadeia alimentar, no topo da qual estão os pinguins. Os camarões que os pinguins comem se alimentam de alga que normalmente cresce perto desse gelo. Sem gelo, não tem alga, e sem alga o prato preferido dos pinguins some! Os robôs ‘gliders’ da Universidade de Rutgers estão ajudando a descobrir exatamente o que acontece. Estes robôs são monitorados e controlados por um centro de controle no campus da Rutgers, em New Jersey, e todos os dados coletados são disponibilizados na internet .

Referência: Integrative and Comparative Biology, volume 50, number 6, pp. 1041–1050 doi:10.1093/icb/icq098

Para outro material sobre o assunto na mídia: veja essa matéria.

Última atualização em Qui, 21 de Abril de 2011 07:13
 

O custo da máquina movida a óleo

Escrito por Petrus
Qua, 30 de Março de 2011 17:28
Instituto

Por Petrus Galvão

Pra quem ainda não se divertiu com o cenário futurístico mais presente de “Admirável Mundo Novo” (Haldous Huxley), eu lhes ofereço um hiper resumo em forma de exemplo: o mundo depende de petróleo para sobreviver. Não importa quantas fontes de energia possam existir, nem quão economicamente interessantes elas possam ser (ex: células de hidrogênio, magnetismo, solar, etc...). A única mensagem a que somos expostos, desde que ainda passeávamos pendurados no ventre de nossas genitoras, é esta: o mundo depende de petróleo para sobreviver. Não vou perder meu tempo tentando convencê-los do tamanho desta falácia, outro sim, pedir-vos-ei para atentar a mais este fato: 800 toneladas de óleo estão indo para o mar do Atlântico Sul devido ao naufrágio de um navio. Aí vocês irão dizer, mas isto não é nada perto das 35 mil toneladas que foram ao mar no Alasca em 1989. Mas, não por falta de assunto, mas pra não deixar enterrar o acidente do Golfo do México, valho-me deste fato para mais uma vez atentar vossos ouvidos para aquilo que dizem os únicos beneficiados com todo esse óleo em nossas vidas: o mundo depende de petróleo para sobreviver. Atentou? Bem, agora cale-a por um instante, e reflita sobre o que pagamos por essa “verdade”. Não deixe de prosseguir em sua reflexão quando vir a sua mente os inúmeros animais mortos pelo óleo grudado em seus corpos. Vá adiante quando você visualizar uma molécula de Benzeno (derivado do óleo) intercalada a dupla hélice do seu DNA, impedindo sua perfeita duplicação e levando a um tumor. Prossiga com os cálculos de emissão de CO2 derivados da queima do ouro negro, e com os efeitos no aumento de temperatura e, por conseguinte, a bagunça no clima e no mar. E no final? No colo de quem vai estourar a conta do cartão de crédito? Qual geração vai segurar esta fatura? Temos a liberdade de transmitir esse saldo devedor? Mais do que jargão: pense localmente, aja localmente.
Retrospectiva aqui.

 
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