5 problemas causados pelo lixo aos animais marinhos

Uma tartaruga que engole uma sacola achando que é uma água-viva. Um filhote de ave marinha alimentado com tampinhas plásticas. Um peixe preso em uma rede abandonada há anos no fundo do mar. Essas não são cenas raras: são a rotina da fauna marinha em um oceano que recebe milhões de toneladas de lixo por ano.

 

Conheça os cinco principais problemas que o lixo causa aos animais marinhos — e o que está por trás de cada um.

 

1. Ingestão de resíduos

 

Muitos animais confundem plástico com alimento. Sacolas flutuando lembram águas-vivas; fragmentos coloridos parecem pequenos peixes ou ovas.

As consequências são graves: obstrução do sistema digestivo, perfurações internas e uma falsa sensação de saciedade que leva o animal a parar de se alimentar. Muitos morrem de fome com o estômago cheio de plástico. Aves marinhas são particularmente afetadas, pois oferecem esses resíduos aos filhotes.

 

2. Emaranhamento e pesca fantasma

 

Redes, linhas, anzóis e cordas perdidos ou abandonados no mar continuam capturando animais por anos — é o que se chama de pesca fantasma. Tartarugas, golfinhos, baleias, peixes e aves ficam presos, sofrem ferimentos, perdem membros ou morrem afogados por não conseguirem subir para respirar.

Anéis plásticos, fitas e restos de embalagens também prendem o corpo de animais em crescimento, provocando estrangulamento progressivo.

Esse problema está presente no litoral do Rio de Janeiro: operações de limpeza subaquática nas Ilhas Cagarras já retiraram dezenas de quilos de redes fantasmas presas aos costões rochosos, onde sufocavam organismos e capturavam animais da região.

 

3. Contaminação química e microplásticos

 

O plástico se fragmenta, mas não desaparece. Os microplásticos resultantes são ingeridos desde a base da cadeia alimentar, pelo plâncton, e se acumulam nos organismos maiores.

Além disso, essas partículas funcionam como esponjas: absorvem poluentes presentes na água e liberam aditivos do próprio plástico, como bisfenol A e ftalatos. O resultado é a contaminação dos tecidos dos animais, com efeitos sobre a reprodução, o crescimento e o sistema imunológico — que sobem pela cadeia alimentar até o nosso prato.

 

4. Destruição e sufocamento de habitats

 

Resíduos que afundam cobrem corais, costões rochosos e fundos arenosos, bloqueando a luz e impedindo as trocas gasosas. Organismos fixos, como corais, esponjas e algas, morrem sufocados.

Como esses ambientes funcionam como berçário e abrigo para inúmeras espécies, o dano vai muito além dos organismos atingidos diretamente: compromete ciclos reprodutivos e cadeias alimentares inteiras.

 

5. Transporte de espécies invasoras e doenças

 

Fragmentos plásticos flutuantes atravessam oceanos levando “carona”: bactérias, algas, cracas e pequenos invertebrados. Ao chegarem a regiões onde não ocorrem naturalmente, essas espécies podem competir com a fauna local, transmitir patógenos e desequilibrar ecossistemas inteiros.

 

O problema começa em terra

 

Cerca de 80% do lixo que chega ao mar tem origem terrestre. Uma embalagem descartada na rua pode alcançar o oceano em poucas horas, levada pela chuva e pelas galerias pluviais — inclusive em áreas protegidas como o Monumento Natural das Ilhas Cagarras, a poucos quilômetros de Ipanema.

Isso significa que a solução também começa em terra: reduzir o consumo de descartáveis, descartar corretamente, exigir saneamento e gestão de resíduos, e apoiar ações de limpeza e educação ambiental.

 

O que você pode fazer

 

Recuse plásticos de uso único, nunca deixe lixo na praia, corte anéis e alças plásticas antes de descartar, descarte linhas e anzóis adequadamente, participe de mutirões de limpeza e denuncie o descarte irregular de resíduos no mar.

 

Apoie o Instituto Mar Adentro. Faça sua contribuição voluntária de qualquer valor com o QR Code abaixo

 

 

Outra alternativa é fazer a transferência utilizando a Chave Pix informada abaixo.  
Chave Pix: 07.865.206/0001-23
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