O Brasil é o país mais biodiverso do mundo — e também um dos que mais têm a perder. Centenas de espécies da fauna brasileira constam nas listas oficiais de animais ameaçados de extinção, distribuídas por todos os biomas, do Cerrado à Amazônia, da Mata Atlântica ao ambiente marinho.
Entender quem está em risco, e por quê, é o primeiro passo para reverter esse quadro.
O que significa “ameaçado de extinção”?
As espécies são avaliadas por critérios científicos e classificadas em categorias de risco, que vão de Vulnerável (VU) a Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR) — a última etapa antes da extinção na natureza. Essa classificação orienta políticas de proteção, planos de manejo e prioridades de conservação.
Animais brasileiros ameaçados: alguns exemplos
Fauna terrestre
Onça-pintada — o maior felino das Américas perde território a cada avanço do desmatamento e enfrenta conflitos com a pecuária.
Mico-leão-dourado — símbolo da conservação brasileira, sobreviveu graças a décadas de trabalho de proteção da Mata Atlântica fluminense, mas segue dependente de esforços contínuos.
Tamanduá-bandeira — ameaçado por queimadas, atropelamentos e perda de habitat no Cerrado.
Ararinha-azul — extinta na natureza por décadas, tornou-se um dos casos mais conhecidos dos efeitos do tráfico de animais silvestres.
Lobo-guará — pressionado pela expansão agrícola e pela fragmentação do Cerrado.
Fauna marinha e costeira
Tartarugas marinhas — as cinco espécies que ocorrem no Brasil (cabeçuda, verde, de pente, oliva e de couro) figuram em categorias de ameaça. Sofrem com a poluição plástica, a captura acidental em redes e a ocupação das praias de desova.
Baleia-franca-austral — dizimada pela caça histórica, ainda se recupera lentamente no litoral sul do país.
Peixe-boi-marinho — uma das espécies mais ameaçadas da fauna aquática brasileira, afetado pela degradação de manguezais e estuários.
Mero — peixe de grande porte dos costões rochosos, vítima da sobrepesca; sua captura é proibida no Brasil.
Albatrozes e petréis — aves marinhas frequentemente capturadas acidentalmente por anzóis da pesca de espinhel.
Corais e organismos dos costões — menos lembrados, mas igualmente vulneráveis ao aquecimento das águas, à poluição e às redes fantasmas.
As principais causas da ameaça
Perda e fragmentação de habitat, provocada por desmatamento, expansão urbana e agropecuária.
Poluição, especialmente por plásticos, esgoto e produtos químicos.
Caça e tráfico de animais silvestres, que movimentam um comércio ilegal bilionário.
Sobrepesca e captura acidental, que atingem peixes, tartarugas e aves marinhas.
Espécies invasoras, que competem com a fauna nativa.
Mudanças climáticas, que alteram temperaturas, correntes e a disponibilidade de alimento.
O que dá certo na conservação
Histórias como a do mico-leão-dourado e a recuperação das populações de baleia jubarte no litoral brasileiro provam que a conservação funciona. Áreas protegidas, fiscalização, proibição da caça, pesquisa científica e educação ambiental são as ferramentas que mudam o destino de uma espécie.
No Rio de Janeiro, o Monumento Natural das Ilhas Cagarras protege um refúgio importante para aves marinhas e para a vida dos costões rochosos. O Projeto Ilhas do Rio monitora essa biodiversidade desde 2011, gerando os dados que sustentam decisões de proteção.
Como você pode ajudar
Nunca compre animais silvestres, denuncie o tráfico e maus-tratos, reduza o consumo de plástico, descarte o lixo corretamente, respeite as áreas protegidas, consuma pescado de forma consciente e apoie organizações que trabalham com conservação.
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